segunda-feira, 23 de julho de 2007

Era uma vez...

Ou,como a música ensina história

Tudo teve início no final do século XVIII, quando as cidades brasileiras estavam em pleno desenvolvimento e cresciam demograficamente. Era possível distinguir os ritmos que compunham a trilha sonora das regiões metropolitanas daquela época, o indu e a modinha, que não tardaram a se juntar e criar o chorinho, que deriva do indu, de descendência africana e a modinha, nitidamente de origem portuguesa. Dentro desse cenário surge no princípio do século XX o samba, um ritmo verdadeiramente brasileiro, dos batuques que ressonavam dos morros do Rio de Janeiro às rodas de capoeira e de pagode, que homenageavam os orixás. Seguido de todo o estardalhaço que foram as décadas de ouro no rádio brasileiro, entre os anos de 1920 e 1930, décadas que popularizaram os ritmos da musical nacional e criaram personalidades fantásticas como Dorival Caymmi e Noel Rosa. E o crescimento da cultura musical no Brasil não parou por ai. Foi quando em 1940 o surgimento de Luiz Gonzaga, o rei do baião e Jackson do Pandeiro trouxe a tona um novo ritmo popular, que fugia do eixo cultural Rio-São Paulo, ao falar da vida dura no sertão nordestino. Chega-se assim a metade do século XX, na década de 1950, com novo fôlego e um novo movimento musical, caracterizado como um estilo mais suave e sofisticado, movimento esse que recebeu o nome de bossa nova, e que conta com o talento de João Gilberto e Tom Jobim, de aptidão soberba, como seus principais representantes. Após o surgimento da bossa nova como nova ordem musical, a televisão começa a ganhar espaço dentro do território nacional, na década de 1960, e devido a essa nova forma de comunicação posta a disposição da população, são criados programas televisivos, dentre os quais o principal representante dentro do cenário musical fica conhecido como Festival da Música Popular Brasileira, que contou com a presença de figuras ilustres, como Elis Regina, Chico Buarque de Holanda e Milton Nascimento, estrelas que abriram caminho para os representantes de um estilo musical que produziu artistas pôr excelência. No mesmo período surge outro estímulo sonoro, o tropicalismo, que foi perpetuado por artistas como Gilberto Gil e Caetano Veloso que além de participar dos Festivais trouxeram para o público o início de uma nova era musical. Artistas esses que utilizavam sua música como forma de protesto contra a ditadura que havia sido instaurada no Brasil em 1964. Nesse período é possível identificar outro movimento cultural, que não tinha a mesma conotação política, mas que mesmo assim consegui arrebatar muitos seguidores, a Jovem Guarda como ficou conhecida, que na verdade vinha de influencias estadunidenses e que dispunha de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia como celebridades com fama de bad boys, nos mesmos moldes dos velhos amigos do norte. Mesmo quando o ambiente encontrado no país não era dos mais favoráveis, a década de 1970 foi capaz de deixar transparecer uma infinidade de talentos ímpares, Belchior, Fagner, Elba Ramalho entre muitos outros, que já não representavam apenas um estilo musical, mas que fundiam todos já existem e criavam e recriavam novos estilos e novas fontes de inspiração. A influencia do Rock’n’Roll advinda em sua maioria dos países de língua inglesa teve presença definitiva na música que seria escrita, tocada e reproduzida dentro de todo país. Também é imprescindível citar outro marco do início das décadas de 1980 e 1990 como o Punk e a New Age que em conjunto com o Rock tratavam de temas mais urbanos e sociais que transpareciam a juventude daquele momento histórico, período esse que conta com nomes como Paralamas do Sucesso, Raul Seixas, Titãs, RPM e muitas outras bandas e artistas que tiveram papel decisivo na forma de fazer música nessa época. Outros movimentos musicais também tiveram início nessas últimas décadas do século XX, o Sertanejo ou Country, assim como grupos de Rock com apelo para o público adolescente e o Rap como forma de protesto que vem da periferia. A música sempre esteve presente na história brasileira e seus personagens tem a presença garantida neste contexto, o leque de opções encontrados no Brasil como forma de representação artística que utiliza o som como forma de proliferação é extremamente rico e diversificado, agrada todos os públicos e todos os críticos e transpõe o ouvinte a um novo, ou velho pedaço do tempo, ao recriar cenas, relembrar ocasiões e com certeza não deixar que a evolução de uma nação seja descrita apenas em palavras escritas.


Rafael Moraes

1 Comment:

Lucas Simões de Oliveira said...

Fala moraizito...
Gostei desse post mas acho que você deveria fazer um blog só de música.

abraço

Lucas

 
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