Incrível como as pessoas não são capazes de fazer o que é preciso quando não estão com vontade. Fazem, aproximadamente, uns quarenta minutos que estou para escrever um texto qualquer e não consigo porque minha cabeça está totalmente em outro lugar. Imaginei tantos assuntos para escrever nestes quarenta minutos que daria para falar sobre cada um durante várias semanas. Cheguei a pensar no filme “O Cheiro do Ralo” de Heitor Dhalia com Selton Mello, mas ficaria difícil falar de um filme baseado em críticas e que ainda não assisti. Pensei no novo filme de Pedro Almodóvar “Volver”, com Penélope Cruz que, esse sim, assisti ainda hoje; porém seria estranho falar de um filme que já foi comentado e não está nem mais em cartaz. Pensei também no “mais um” casal gay rico e feliz da novela das 9, mas deixarei as águas rolarem mais um pouquinho já que a novela mal começou. Estes e tantos outros assuntos, descartei totalmente a possibilidade de escrever. Contudo, isso me fez chegar à conclusão que escrever é um ato total e estritamente espontâneo, com exceção dos jornalistas que descrevem ou comentam um fato. Escrever requer inspiração, o que gera a espontaneidade, o que gera a naturalidade, e por aí vai... Pressão, horário, pressa, acredito não combinar em nada com o ato de escrever. Sou estudante de jornalismo e descobri que, no meio da trajetória, não tenho paixão nem vocação alguma para escrever notícias, o que não significa necessariamente que não gosto de escrever. O estranho é que, conforme o passar do tempo, nos restringimos a fazer exatamente o que nos proporciona um certo prazer. Tenho paixão por escrever, mas acredito que esta paixão não se encaixa em certos parâmetros. Que fique claro que este texto está longe de ser uma crítica a jornalistas que se encaixam nesta linha mais fechada. Pelo contrário. Admiro imensamente profissionais que conseguem e gostam desse perfil, mas não conseguiria escrever em meia hora, sobre qualquer assunto, sem antes uma reflexão. Isto, na minha opinião, gera um texto totalmente mecânico e artificial. O ato de escrever relaxa, no qual descarregamos todo nosso stress do dia-a-dia no papel, e não o contrário disto. Enfim, nem tudo sai exatamente como esperamos. Estou concluindo este texto, o qual imaginei não ultrapassar sequer vinte linhas. Daí, a espontaneidade e a liberdade da escrita. O prazer de escrever.
Bruno Cezar Alves
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